5 de maio de 2013

Cidade dos ratos

  O céu rosado anuncia o fim, e as pernas fracas percorrem sua rota. Do que estão fugindo? O caminho além do vidro me assusta, mas desperta em mim um desejo de vozes, de aromas e epílogos. A dor alastra-se por estas calçadas.

  Sinto o vento em meus olhos, e penso em memórias esvoaçantes. Como és bela e também mortal. Estranha cidade, com a pureza de seus olhos e seus tons de luxúria. Quantos amantes queimam em teus quartos? Quantas almas choram no teu vazio? Quantos corpos agonizam em teus becos? E quantos predadores os arrastaram até ali? 

  Doces ilusões enchem-me a mente. Golpes cruéis ferem-me a carne. Já não posso abandoná-la, e sei agora o quanto lhe detesto. Sou um rato desta cidade.

Um comentário:

  1. Adorei! Sucinto como todos os outros, notei discretas mudanças na estrutura do texto. Parabéns!

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